Mais um capítulo está saindo fresquinho do forno e vindo parar aqui no blog para vocês, que estão acompanhando a história e pá (se é que alguém está lendo, but...)
Hoje como estou bastante animada, prometo mais um post até o final da noite/início da madrugada, mas sem ligações com o livro, e sim, alguns pensamentos e reflexões de minha própria autoria
Beijos, e Boa Leitura!
@SrtaFaria :D
CAPÍTULO 5:
O despertador tocou. Uma. Duas. Três vezes. Eu já tinha entendido o recado. Hora de levantar. Mais um dia chato e monótono, como quase todos na minha vida. Fiz tudo o que eu fazia diariamente, e desci as escadas, encontrando com minhas primas, que me esperavam. Pegamos a BMW e seguimos rumo ao colégio. Elas conversavam sobre alguma coisa que eu não estava nem um pouco afim de escutar. Me desliguei do mundo, e continuei seguindo rumo à escola.
Assim que estacionei na mesma vaga de sempre, todos nos olharam com os olhos de sempre. Eu já sabia o que vinha depois disso. As três chatas. Elas sempre tentavam me convencer de que a compania delas era muito mais valiosa e importante que a das minhas primas-irmãs. Eu não queria mais escutar a voz de Marie. Nem de Lilith, nem de Jess. Eu não queria ouvir ninguém, na verdade, eu nem queria estar ali. Sim, eu adorava ir para a escola, mas eu fazia isso há vinte e duas décadas. Nunca ninguém entendeu isso. Ninguém nunca entenderá. Deixei minhas primas sozinhas, como eu sempre fazia quando chegávamos ao colégio, e começei a andar sem rumo por entre os corredores da escola. Ainda estava cedo, e eu não queria ficar parada como todos os adolescentes faziam. Isso concerteza chamaria as três para virem conversar mais uma vez comigo, e era isso o que eu menos queria nesse momento. Foi então, andando pelos corredores do colégio e tentando me desligar do mundo que eu o vi pela primeira vez.
Alto. Forte. Seus negros cabelos se encontravam de um jeito desarrumado e bem descontraído. Moreno, quase num tom canela e com os olhos negros, marcados sob fortes olheiras. Naquele momento eu tinha quase certeza que estava de frente com um de nós, tirando a cor de sua pele. Mas vampiros não deveriam ser todos pálidos, não é mesmo? Ele se encontrava sentado encostado no canto de um armário. O meu. Ótimo, devia estar me procurando. Devia saber que tipo de gente eu era, e queria saber mais sobre nós. Eu simplesmente continuei olhando para ele, procurando por respostas. Ele fez o mesmo, nunca tirando aqueles olhos escuros dos meus. Tentei invadir sua mente, dar um comando
qualquer, mas nada funcionava. Ele era o primeiro que eu não conseguia afetar. Eu nunca tinha mexido com mentes vampíricas, a não ser de minhas primas. Isso não valia. A partir daquele momento eu tive certeza: ele era vampiro. Tentei sentir o cheiro de seu sangue: nada. Parecia-me com as minhas vítimas depois de mortas, quando não exalavam cheiro algum. Isso estava realmente estranho. Mais alguns segundos se passaram quando eu realmente consegui abrir minha boca:
- Err, licença? Você está encostado no meu armário.
- Ah. Desculpe-me. - ele então se levantou. Fiquei com um certo receio. Ele era forte também (eu já falei isso?). Tinha todos os músculos demarcados pelo corpo, e imaginei que não gostaria nem um pouco de receber uma surra dele.
- Algum problema com você? - ele me parecia meio angustiado. Não sabia dizer ao certo. - Todos os problemas do mundo e mais um pouco. - sussurou. Claro que se meus ouvidos fossem iguais a de qualquer pessoa, eu nunca teria escutado aquilo, porém eu não era. E ouvi.
- Disse alguma coisa? - perguntei-lhe, fingindo não saber o que havia sussurado.
- Ah não, nada. - porque ele não tirava os olhos do chão?
- Tudo bem então. - começei a abrir meu armário, e mexer nos cadernos que eu precisaria para a primeira aula. Ele continuava ali, parado. Eu podia sentir a presença dele, mesmo que não sentisse seu cheiro. Ou melhor, o cheiro de seu sangue, porque ele parecia ter um cheiro muito agradável. Marcante.
- Bom, meu nome é Matthew. - do nada ele disse, me assustando. - Ah, desculpe te assustar.
- N-não foi-i nada... e-eu acho. - eu estava gaguejando? Como assim? Nunca durante tantos e tantos anos eu não havia gaguejado para um homem sequer. Nem mesmo para o meu quase noivo, se ele não tivesse morrido. - Aliás, meu nome é Joan.
- Prazer Joan. - Matthew esticou a mão, como todos os humanos faziam. Era um comprimento normal, contudo eu não podia tocá-lo. Ainda não. Fiz um aceno de cabeça. Ele abaixou a mão imediatamente.
- Estou no terceiro colegial. - ele parecia querer puxar assunto, ou ser sociável. Porque eu nunca tinha visto aquele menino andando pelos corredores do colégio, e de um dia para o outro, eu o encontro na porta do meu armário?
- Sou do segundo. Tenho duas irmãs que estão no primeiro: Charlotte e Sophie.
- Nomes meio antigos, não?
- É. Digamos que minha família seja bem antiga. - porque era fácil demais conversar com ele? Eu tinha que me controlar, ou contaria tudo à ele.
- Ah... Alguns estão dizendo que vocês são da árvore de Napoleão Bonaparte, por causa do sobrenome.
- Talvez eu tenha alguma ligação. - rimos por um minuto. Meu Deus, ele ficava lindo rindo!
O sinal tocou, avisando que era hora de despertarmos para a aula. Fechei o armário, e ele então falou:
- Bom Joan, acho que nos vemos por aí...
- É. Acho que sim.
- Tchau.
Eu não consegui abrir minha boca. Ele já tinha virado as costas, e estava começando a andar para sua aula. Eu continuei parada por um longo tempo. Eu não sabia o que fazer. Não sabia aonde ir. Estava com muita vontade de seguir Matthew. A melancolia que tinha acordado comigo, já sumira. Eu estava bem. Como? Eu não sabia. O colégio começou a se encher de gente, e eu me acordei para a realidade. Começei a andar para a aula que eu teria.
Três aulas se passaram, e eu não tinha visto Matthew em nenhuma troca de aula. Era intervalo. Impossível não encontrá-lo. Sophie e Charlotte me encontraram no corredor e seguimos em direção ao refeitório. Peguei qualquer coisa, e segui com minha bandeja, atrás das duas. Sentamos onde sempre sentávamos, todavia eu não me encontrava do jeito que eu sempre estava. Eu não conseguia parar sentada. Procurava por ele, mas nunca o achava. Procurei pelos cantos, mas nada. Sophie e Charlotte estavam preocupadas comigo, perguntando-me sempre se eu estava bem. Eu estava bem, mas não entendia o porque de tanta curiosidade em saber aonde ele estava. Devia ser para saber mais sobre ele. Começei a lembrar dele: seus olhos misteriosos certamente escondiam alguma coisa de nós. Seu modo de falar era diferente. Tudo nele era difrente. Ele era diferente. Não me aguentei. Levantei da mesa, com a desculpa de querer ir até o banheiro. Óbvio que vampiras não iam ao banheiro, mas quando eu dizia isso, minhas primas sabiam que eu queria ficar sozinha. Eu também sabia, que quando chegássemos em casa, elas iam pedir uma explicação pelo meu comportamento nessa manhã. Eu não queria contá-las sobre Matthew. Ele era apenas uma pessoa que havia me deixado intrigada.
Segui os corredores, com uma intenção. Achar Matthew. Procurei por todas as salas, e nada dele. Decidi ir ao último lugar que me restava. O lugar que há poucas horas antes eu o havia encontrado. Onde tudo tinha começado. Meu armário. Quase voei para ver se ele estava lá. Há alguns metros de distância, eu vi. Matthew. Ele se encontrava encostado no meu armário como da outra vez. Eu não sabia o que fazer, o que falar. Não tinha o que falar. Começei a olhar melhor para ele. Alguma coisa o incomodava. Seu material estava largado pelo corredor, e ele, sentado abraçando as pernas. Quando eu vi que ele ia começar a chorar, meu coração, que há tempos não batia, sentiu uma forte dor. Coloquei a mão sobre o peito, onde repousava um coração morto, tentando fazer parar aquela dor. Passados alguns minutos, a dor parou. Matthew me olhava intrigado com o que via. Eu me encontrava ajoelhada, no meio do corredor, com a mão no peito, como se eu estivesse tendo um ataque cardíaco.
- Joan?! - ele perguntou espantado, correndo em minha direção.
- Sim, sou eu. - seus negros olhos encontraram os meus, e ele me ajudou a levantar, o nosso toque fez com que ele tremesse, porém, ele não paraceu se importar com aquele problema. Fui então até o meu armário, fingindo estar a procura de alguma coisa dentro dele. Eu não podia aparentar estar procurando-o. Ele me seguiu.
- Ah, desculpe sentar aqui novamente. Isso não vai se repetir.
- NÃO! - soltei imediatamente. - Quer dizer... pode ficar, não me importo.
- Mesmo? - ele parecia animado com a idéia.
- Sem problemas. Garanto. - aquilo melhorou para mim.- Eu vi você aqui antes, e... tem certeza que você está bem?
- Estou sim. Certeza absoluta. - ele me garantiu assim que viu meu olhar, o restringindo. - E você?
- Eu o que? - me espantei.
- O que houve? Aquilo me assustou e... - eu não ouvia mais nada. Alguém estava preocupado comigo. Pela primeira vez.
- Estou bem também. Foi só uma dorzinha, ou mal jeito. Eu sempre tenho isso.
- É melhor se cuidar... - ele disse isso num tom preocupado.
- Pode deixar... - como se algo além da morte pudesse acontecer comigo.
O sinal tocou, e tivemos que nos separar novamente. Fiquei pensando naquela conversa, naquele toque que tivemos no resto das aulas que eu tive. Não me importava de perder meu tempo pensando naquilo, não estava perdendo matéria, eu já havia decorado.
Assim que acabou as aulas, encontrei-me com minhas primas. Elas me olhavam de um jeito estranho, pedindo por respostas. Apenas transmiti a mensagem:
* Não há nada de errado comigo. Não posso contar enquanto eu estiver certa do que está acontecendo. Não é nada que precisem ficar com medo. E só.*
Entramos no carro, e seguimos para casa em silêncio, coisa que nunca havia acontecido em todas essas décadas. Nem o rádio estava ligado. Eu queria pensar nele. Apenas isso. Em Matthew.
Estacionei o carro na garagem, e saí sem dizer nada. Subi para o meu quarto e por lá fiquei. Pensando. Esperando o tempo passar mais uma vez. Minhas primas subiram para o meu quarto, depois de um longo tempo que haviam me deixado sozinha, para saber o motivo de tanto mistério. Eu ainda não podia contar-lhes. Nem eu sabia direito o que estava se passando. Jurei a mim mesma que não contaria nada a ninguém enquanto eu tivesse dúvidas.
Logo, quando elas viram que eu não abriria minha boca por nada, saíram do quarto. Já me conheciam, entretanto, eu mesma parecia não me conhecer mais. Não podia ser possível. Eu repeti essa frase milhares de vezes na cabeça, enquanto estava deitada sobre minha cama, com o travesseiro em cima da minha cabeça. Tais como as imagens de Matthew ainda apareciam mais do que esta. Como eu, uma vampira independente nesses últimos 221 anos, podia ter se apaixonado?
Apaixonar? Impossível de entrar essa palavra com milhões de sentimentos envolvidos em meu vocabulário. Mas não era. Era a única e real verdade, pelo menos que eu podia concluir até o real momento. Eu pensava mais nele do que em qualquer outra coisa nessa tarde. Até mesmo que a sede. Eu não sentia minha garganta doer, mas sim meu coração quando eu ficava sem o ver. Isso estava comprovado. Eu não consegui parar hoje enquanto não o vi de novo. E estou assim novamente, enquanto não o ver amanhã. Como eu podia estar apaixonada, e mais que isso, como eu podia me comportar de tal maneira se eu o conhecia fazia menos de vinte e quatro horas? Eu precisava dele, essa era a resposta para minha paixão. Mas, como poderíamos ter uma relação, se fosse provável essa possibilidade? Eu não podia nem encostar nele. Isso doía meu coração. Querer tê-lo e não ter. Eu poderia contar à ele a verdade? Será que ainda assim, ele me aceitaria? Será que ele me queria, assim como eu queria ele, mesmo não sabendo nada sobre o que eu era? Eu precisava conversar com alguém. Não podia mais ter dúvidas, queria certezas.
Sophie era a única que poderia me responder tudo isso, eu tinha certeza. Ela estudou muito sobre nossa espécie durante esses anos, ela sabia muito, mas eu ainda não queria contar à elas. Sim, elas. Se fosse para contar a Sophie, Lotte também saberia. Éramos uma família. As únicas que sobravam de uma nobre e famosa família.
O melhor que eu tinha a fazer era conversar com elas. Éramos e ainda somos uma forte e verdadeira família. Como sempre fomos. Resolvi chamá-las. Não abri nem a porta, mandei um chamado por mente. Em questão de segundos, elas estavam sentadas à minha frente, olhando para mim, pedindo por explicações.
- É o seguinte, vou contar o que está acontecendo comigo, ou o que eu acho que está acontecendo. - começei.
- Ah, tem explicação essa sua esquisitice?
- Acho que sim.
- E ela tem um nome? - Lotte perguntou.
- Como assim? - Lotte já sabia? Como?
- Ué, não estamos falando de algum garoto por aqui? - ela perguntou meio perdida.
- Estamos. Como você adivinhou?
- Essa esquisitice tem um nome. Amor. Percebi que alguma coisa estava errada com você quando a encontrei hoje no refeitório, Joan. Você nunca foi de não parar quieta. Parecia procurar por algo, em algum lugar, então saiu do nada, pedindo que ficasse só, e não voltou mais. Imaginei.
- Bom, Lotte está certa. O que você acha que devo fazer, Sophie? Você sabe tanta coisa sobre nós...
- Não sei Joan... nunca pensei que vampiros se apaixonassem de verdade. - ela realmente estava pensativa sobre o problema que enfrentávamos agora.
- Eu também não, mas aconteceu. E agora?
- Aja como uma garota qualquer, com uma paixão qualquer. Vamos esperar um tempo e ver. É o melhor que podemos fazer no momento.
Eu queria poder explicar a elas o que eu sentia por ele. Não era uma paixão qualquer. Não era como uma caça muito valiosa, ou mesmo um sangue puro. Ele era apenas um garoto, por quem eu estava apaixonada. Eu não queria seu sangue apenas. Queria mais que isso, corpo e alma, para sempre.
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