Parei de postar o livro e ninguém comentou nada *no one sentiu falta*. Enfim né, como promessa era dívida, vou postar o livro todo, caso alguém que esteja acompanhando queira continuar a lê-lo
Boa Leitura!
@SrtaFaria
CAPÍTULO 6:
Sophie e Lotte saíram logo do meu quarto, dando-me privacidade. Adorava isso nelas. Eu estava confusa demais. Minha cabeça girava e meu corpo todo doía. Mil pensamentos passavam de uma vez só em minha mente. Resolvi tomar um banho. Isso sempre me ajudava, era incrível. Era um dos hábitos humanos que eu havia adotado no meu dia-a-dia, e que me ajudava muito, sempre. Abri a torneira da banheira, e deixei a água cair, até enchê-la. Entrei. A temperatura da água estava perfeita, do jeito que eu gostava. Bem quente.
Em alguns minutos, tomei o banho por completo, mas resolvi que ficaria por mais um tempo. Aquilo estava realmente me relaxando. Começei a tentar pensar no nada. Era uma coisa que eu realmente não tinha muita habilidade. Minha mente era muito rápida, e às vezes eu não conseguia mandar nela. Um ponto ruim. Saí do banho assim que a temperatura da água começou a esfriar. Outra coisa que eu odiava. Me envolvi numa toalha de banho, e saí do banheiro. Coloquei uma roupa qualquer que estava no meu armário, e deitei na cama, com o intuito de relaxar. Impossível. Minha mente ia sempre para ele. Matthew. ARGH! Queria conseguir por um minuto esquecê-lo. Por completo. Então, veio-me à ideia a cabeça: lembrar do meu passado. Do nosso passado. Fechei os olhos e concentrei-me onde eu havia parado.
Nós três estávamos com poucos dias de vida. Estávamos com sede. Havíamos estabelecido a nossa regra, por ninguém nunca ter nos explicado sobre esse mundo do qual agora pertecíamos. Nossos criadores, nos transformaram e desapareceram. Nunca entendemos o propósito deles em nos transformar. Já havíamos desistido de entender, também de procurá-los, mas não foi nessas memórias que eu voltei. Foi no dia que descobrimos que éramos mais do que vampiras. Éramos especiais.
Mais um dia entendiante se passava. Já faziam três meses que havíamos nos transformado. Três meses que nos alimentávamos de sangue humano. Três meses que vivíamos sozinhas. E escondidas. Havíamos arranjado livros para ler, porém isso não era legal. Três meses fazendo as mesmas coisas: Caça, leitura, conversar e ficarmos paradas. Sim, paradas. Isso era fácil, havíamos descoberto. O tempo passava mais rápido. Três, quatro dias. Melhor. O tempo era bem mais demorado a passar agora. Estava pensando na vida, ou na morte, tanto faz. Estava pensando se eu ia continuar a eternidade fazendo as mesmas coisas que eu fazia naquele exato momento. Sophie então enterrompeu meus pensamentos:
- Disse alguma coisa? - perguntou-me.
- Eu? Não. Estou pensando aqui e...
- Espera. Você está brincando Joan, eu também te ouvi! - Lotte me disse.
- Já disse! Eu estava pensando sozinha! - agora elas começariam a duvidar de mim? Ótimo.
- Acalmem-se! - Sophie enterrompeu. Eu e Lotte já estávamos partindo para uma briga. E seria das feias. Recém criadas eram muito impacientes e nervosas. Às vezes era complicado conviver com duas no mesmo metro quadrado. - Eu acho que tenho uma explicação para isso.
- Isso o quê? - eu perguntei. Não estava ficando louca, estava apenas pensando!
- Lotte, sente-se de costas para Joan, do lado oposto ao qual ela se encontra.
- Que raios você está fazendo, Sophi?!
- Espere, você logo saberá. - Sophie foi sentar-se junto com Lotte, no canto mais longe que tinha. - Joan, pense em alguma coisa que você gostaria de nos falar. Qualquer coisa.
Pensei por um instante. Eu ainda não entendia aonde Sophie queria realmente chegar com aquilo.
*Sophi e Lotte, estou entediada de ficar aqui dentro desse buraco, sem nada para fazer. Não podemos procurar qualquer outro lugar para morar?* - perguntei na minha mente. Sentia-me uma completa idiota de estar falando sozinha. Claro que elas não haviam escutado qualquer uma das palavras que eu havia pensado.
- Eu também quero! - Lotte disse.
- O que você quer, Lotte? - eu disse, abismada que ela pudesse ter ouvido o que eu havia pensado.
- Ora, você acaba de me dizer que esta entediada e que quer mudar de moradia, se é que isso é uma moradia e...
- Vocês me escutaram? - eu perguntei.
- Sim. Eu também ouvi, Joan. - Sophie me disse.
- Posso me comunicar com vocês, então?! - isso era melhor do que eu havia pensado. - Nunca eu imaginara que vampiros, ou melhor, nós poderíamos ter poderes.
- Pode, e creio que nós também possamos. - Sophie olhou para Lotte, que pulava no seu lugar, animada com a nossa descoberta.
Assim, Sophie e Lotte fizeram o mesmo teste. Descobrimos que podíamos nos comunicar entre nossas mentes. Isso era incrível! Podíamos conversar, sem abrir a boca. Lotte foi a mais irritante com isso. Nos dois primeiros dias, tivemos que nos acostumar com ela sempre invadindo nossa mente, gritando. Eu sempre me assustava, e ela sempre se desculpava. Ríamos muito. Nosso tempo começou a passar mais rápido, com a nova descoberta, mas ainda assim, eu estava entediada. Queria mudar de "moradia", se é que esse buraco poderia receber tal nome, como a Lotte havia comentado.
Depois de algum tempo, exatamente, três semanas, em uma de nossas caças, descobrimos o poder especial de Sophie. Ela era linda. Isso nós já sabíamos. Ela sempre fora, mas isso se transformou em um poder. A facilidade com que Sophie arranjava sua vítima era inimaginável. Ficamos felizes por Sophie ter aproveito de sua tamanha beleza, e isso poderia nos ajudar, sempre. Persuadindo a todos que quiséssemos, conseguindo o que queríamos. Lotte ficava ansiosa para saber se ela teria algum poder também. Lotte sempre era muito animada, e eu sempre lhe dizia que esse era seu maior poder.
Cinco semanas depois do ocorrido com Sophie, foi a minha vez. Era um simples e entediante dia como todos os outros, onde eu me encontrava pela décima vez lendo Orgulho e Preconceito. Nossos exemplares eram poucos, mas de grande qualidade todos eles. Romances, obviamente. Éramos amantes de romances. Sempre. Eu estava na suposta "sala" lendo, e Lotte como sempre não conseguia arranjar um lugar para sentar. Ela pulava de um canto ao outro, reclamando de não ser o perfeito lugar. Eu apenas pensei: Lotte, senta e pára! Foi o suficiente. No mesmo instante, ela caiu de bunda no chão, e parou. Meu olhar foi de encontro ao dela, que estava o mais apavorado possível. Sophie estava estudando sobre nós num canto, e isso a fez ficar revoltada.
- Lotte! Páre! Estou estudando.
- Mas não fui eu...
- Como não? Você sentou ai involuntariamente e...
- Foi! Eu estava arranjando um lugar, nunca que faria um barulho como esse e... - ela estava certa. Nós éramos muito silenciosas. Isso me revoltava de vez em quando.
- Eu fiz isso! - disse alto demais, para ser apenas para mim mesma.
- COMO?! - as duas fizeram a mesma pergunta, ao mesmo tempo. Sempre acontecia de falarmos juntas, era engraçado.
- Eu apenas pensei em mandar Lotte sentar e parar porque também estava me irritando, e no outro segundo, ela sentou-se.
- OH MEU DEUS. - Sophie soltou.
- O que houve?
- Joan, você é telepata!
- Sou o que?
- Telepata. Você provavelmente tem a capacidade de ler mentes, enviar pensamentos, alterar as percepções de uma pessoa, comandar suas ações à distância e até mesmo alterar suas memórias. Joan isso é perfeito para nós!
Eu já não escutava mais nem uma palavra que Sophie me dizia. Era incrível se eu pudesse realmente fazer tudo isso que ela me dizia. Isso nos ajudaria e muito! Poderíamos sair dessa caverna idiota, poderíamos viver com os humanos, se eu realmente pudesse interferir a mente e alterar a memória. Fizemos alguns testes, e realmente eu tinha todos os poderes que Sophi descrevera, eu era telepata.
- E EU?! - Lotte gritava.
- Acalme-se. Você provavelmente vai receber um dom também, contudo você tem que esperar!
- Porque sou sempre a última?
- Não sei. Talvez porque você tenha sido a última a ter sido mordida.
- INJUSTIÇA! - ela fez o seu biquinho típico.
- Lotte, acalme-se, vamos. - um minuto se passou, até que ela parou de fazer a birra dela.
- Tudo bem. Eu só queria ter um dom também.
- Você vai ter. Somos primas e eu sou sua irmã, o DNA afeta muito também. É muito pequena a possibilidade de você não ter nada!
Assim como foi dito, duas semanas depois, estávamos numa viagem de caça, quando eu ouvi um grito. Não de dor, nem de ajuda. De felicidade, com um pouco de receio e medo. Era Lotte. Terminei rapidamente minha vítima, e larguei seu corpo por entre as árvores, indo em direção à Lotte. Quando a vi, Sophie estava do meu lado. Provavelmente com a mesma feição que eu fazia. Lotte estava pulando de alegria, ao lado de seu alimento, que por sinal, ainda estava vivo. Indignada, perguntei:
- O que houve?
- Olhe, olhe meninas. - Lotte parou de pular por um tempo, e fez uma cara estranha, com os olhos semi-cerrados, olhando para o homem. Em pouco tempo, o homem se retorcia e gritava alto, como se algo estivesse doendo, ou ele tivesse sido eletrocutado do nada. Lotte então desviou o olhar direto dele para nós, e sorriu. A boca de Sophie caiu. A minha não devia estar muito diferente da dela. - Eu posso machucar as pessoas com meu olhar! - ela dizia isso com a mesma voz de uma criança quando acaba de ganhar um presente.
- Lotte, faça isso de novo. - Sophie pedia.
Eu estava com dó do homem, que provavelmente não recebia aquela dor pela segunda ou terceira vez. Lotte estava com cara de que desde que havia descoberto seu poder, estivera "brincando" com ele. Por mais que o homem fosse malvado ou não sei o que ele fizera para virar janta dela, ele tinha certeza de uma coisa: se ainda estivesse vivo, ele nunca mais faria as coisas que ele fez. Fui conferir sua mente, e eu realmente não havia me enganado.
* Meu Deus, o que ela está fazendo comigo? Eu juro que se foi por todos os assassinatos que eu cometi, eu prometo, que nunca mais farei isso. Só não me torture mais do que eu já sofri. Isso dói, arde...*
Parei imediatamente de ler sua mente. Aquilo estava me torturando por completa. Pior do que matar inocentes, de sangue puro, era ver sendo torturado um ex-assassino, e saber que depois Lotte o mataria. Ela começou de novo a tortura sobre o homem, e Sophie olhava para a cena com olhos profissionais.
- Se importa de fazer mais forte, Lotte? - Sophie perguntou-lhe.
- Sem problemas. - Lotte cerrou mais os olhos e com um pouco de força, apenas escutamos um grito. Vinha do homem. Olhei para ele, e seu corpo já não retorcia como antes. Estava simplesmente parado. Os braços esticados e seus olhos abertos. Morto. Lotte não se importava, muito menos Sophie. Meus olhos estavam arregalados para a cena.
- O que houve, Joan?
- Lotte matou o homem.
- Eu imaginei que ela pudesse fazer isso mesmo. - Sophie dizia.
- Mas ele era inocente! - eu gritei, aterrorizada.
- Não Joan! Ele era um assassino! Acabei de presenciar ele matando uma criança! Foi quando eu não resisti e sem querer fiz isso com ele. Só a parte da dor. Agora que Sophie me pediu para usá-lo com mais força que eu o fiz.
- Eu li a mente dele! Ele se arrependeu!
- Assassinos não fazem isso, Joan. - Lotte me disse, num tom mais baixo.
* Meu Deus, o que ela está fazendo comigo? Eu juro que se foi por todos os assassinatos que eu cometi, eu prometo, que nunca mais farei isso. Só não me torture mais do que eu já sofri. Isso dói, arde...* eu reproduzi para elas, em suas mentes, o que o homem estava falando para ele mesmo há pouco tempo atrás.
- Oh Meu Deus. - Lotte disse.
- Eu falei. - apenas consegui soltar isso.
- Deus, Deus... - a voz das duas foram se perdendo, e a minha visão foi ficando esbranquiçada. Foi quando voltei à realidade. Já era de manhã. O relógio marcava cinco horas da manhã, e no calendário, quinze dias passados. Era incrível como de vez em quando o tempo voava. Me lembrava perfeitamente como se fosse hoje de que há mais de duas semanas eu havia mudado. Esse tempo todo eu havia faltado na aula sim, precisava do meu tempo. Saber e me compreender melhor.
Mais um dia começava. E eu precisava estar preparada para ele.
Nenhum comentário:
Postar um comentário